sábado, 11 de dezembro de 2010

Looking for Love

O amor pode vir novamente, ele pode surgir, quando você menos espera, você tem que acreditar, o amor pode vir novamente.
Sou uma tola por acreditar no amor. Sim, eu sei. É esse sentimento inexplicável e abstrato que tantas pessoas falam, que traz tantos sorrisos, tantas horas de pura alegria e felicidade. Um sentimento lindo e frágil. Essa fragilidade que traz as lágrimas, a solidão e a tristeza de perder o maior sentimento de todos. Mas ele só é frágil porque outros sentimentos o enfraquecem. O conhecido ciúmes. Destrói tudo aquilo que os amantes construíram com todo o carinho que tem um pelo outro. É difícil de voltar atrás, sim, é. Mas quem quer ficar sozinho? Isso que nos faz procurar amores de uma noite. A procura interminável para acalmar a sede que sobe por todo o nosso corpo, que nos faz ter noites em claro com apenas uma garrafa e coração vazios a contemplar os céus noturnos.
Então vamos a busca de amores falsos. As luzes do palco ofuscam meus olhos, o lugar está com clima de diversão, a música envolve todos os corpos em uma dança sem harmonia e você consegue enxergar que todos ali estão a procura do mesmo que você. A busca leva apenas algumas horas, até você sentir alguém falar em seu ouvido um convite de banquete para saciar a sede. Os joelhos tremeram, o mundo girou ao redor, o ar não era mais suficiente, e o chão não parecia estar no lugar. Tudo isso passou, assim que você sentiu suas bocas se tocarem. A macies dos lábios, o gosto das línguas que brincam uma com a outra e a sensação dos toques carinhosos. Seus corpos se encaixavam num abraço perfeito. Era como se fossem amantes de verdade. Vocês apaixonaram-se um pelo outro, e selaram esse amor com um beijo. Um? Incontáveis beijos de paixão caloroza foram trocados, olhares apaixonados, toques de amor. Então, não ouve-se mais a música que antes era a trilha sonora do nosso amor. As luzes brancas se acenderam, e todos se dirigiam para a saída. Vocês levantam-se de mãos dadas e caminham para fora. A temida hora chegou. Hora do adeus. Mais um beijo. O último. Vocês demoram-se nos lábios um do outro, demoram-se até ficarem fartos do falso amor que um deu ao outro. Enfim acabou, vocês separam relutantes suas bocas, braços, mãos. Seus olhares se chocam e vocês choram pela perda de seu amor. Mas alguém tem que ser forte e se afastar. Você se encontra sozinho novamente, já sentindo a dor da sede secar sua garganta.
Mais uma vez você foi cegado por este amor falso, este amor que te ilude e lhe causa tanta dor quanto aquela que você sentiu quando perdeu seu amor verdadeiro. Foi somente uma noite não é verdade? O amor não voltou novamente, ele se foi, você está sozinho. Não consigo mais acreditar que o amor pode voltar, porque fico quebrada quando você vai embora. Meu chão voltou a sair do lugar, meus joelhos voltaram a tremer e meu coração voltou a arder com batimentos sem sentido. Afinal, por quem ele bate? Por quem meu sangue circula? Por quem eu procuro? Eu procuro o amor, e eu acredito que o amor pode voltar denovo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cherry

Por que elas tinham um gosto tão bom? Por que furtá-las era tão prazeroso? Por que eram tão vermelhas e chamativas? Por quê?
Foi meu primeiro furto. Mas foi lindo. Acho que até as cerejas que foram arrancadas de sua mãe, sorriram para mim.
Sophia! gritou meu companheiro de furto, e melhor amigo.
Desci com certa pressa e cautela, mas o fato de estar com os braços envolvendo centenas de cerejas não ajudava a descer de uma árvore. Estava indo de encontro ao chão. Já estava até vendo: eu me espatifanto no chão junto com os lindos frutos vermelhos-sangue. Poft. Sobraria uma garota machucada e centenas de cadáveres vermelhos. Mas antes do meu encontro com o chão, dois braços magrelos me seguraram. Olhei para meu melhor amigo e sorri como agradecimento, mas ele não viu, ele olhava para as cerejas, e viu que nenhuma havia se machucado. Ele sorriu de alivio.
– Rápido, pegue a sua parte! – estendi um punhado das frutas vermelhas a ele, e as aconchegamos nos bolsos de nossos casacos. Começamos a correr.
Sabíamos que era errado, mas era tão divertido, tão perigoso, tão descuidadamente infantil. Corríamos depressa, sabíamos que o jardineiro ia chegar a qualquer momento, só estava esperando o momento certo. Ouvimos uma porta bater ao longe. O coração pulou para a garganta, corremos mais depressa, e mais depressa, até que não sentíamos mais o ar entrar em nossos pulmões, só sentíamos nossos pés batendo com força sobre a grama perfeitamente cortada. Como era enorme e belo aquele jardim. Desaceleramos um pouco o passo para ver se o ar voltava, voltou. Ainda tínhamos que correr, pois podiamos escutar o jardineiro gritando atrás de nós. Nunca imaginei como seria essa sensação de perseguição. Como era boa. Tinha vontade de rir, de gritar de satisfação, mas não tinha ar suficiente em meu pulmão. Droga.
Paramos. Ou melhor, fomos parados. Um enorme muro-vivo se estendia em nossa frente, e era ele que nós iriamos escalar. Sabíamos como, e por onde começar, mas estávamos exaustos, até as cerejas pediam para descansar. Ouvimos os gritos do jardineiro, estava mais perto do que nós pensávamos. Foram dois segundos para começar a escalar. Um para ouvir o grito, e outro pra respirar. Escalamos muito rápido, as vermelhinhas estremeceram, mas continuamos a subir, não sabíamos se o jardineiro estaria com um machado na mão, melhor ser rápido de escalada caso esse fosse o caso. Enfim no topo. Hora de brincar de mergulho, você é bom de salto?
– Está pronta? – ele segurou minha mão e a apertou, então a soltou e segurou os bolsos e olhou-me esperando minha confirmação. Fiz que sim com a cabeça.
Pulamos. Aterrissar era o de menos, tinha preocupação maior com a cerejas. Depois de quase quicar na grama fofa do parque, nos levantamos rapidamente e fomos correndo pelo parque quase deserto até chegar na nossa árvore. Nos deixamos cair sobre suas raízes, arfando para fora nosso cansaço. Ao recuperar o fôlego, abrimos nossos bolsos, as dividimos igualmente e começamos a comê-las.
Ah, que doce sabor, que doce aroma, que doce cor, que doce formato... o sabor do furto, o aroma do sucesso, a cor da infância e o formato de uma cereja.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Abism

Infelizmente eu me vejo a cair nesse maldito abismo novamente. Ele não me parece tão profundo, nem tão frio. Porém, eu estou com mais medo ainda, pois irá doer mais, já que a queda não se trata somente de uma pessoa me empurrando, são várias.
Todos os dias sou bombardeada com emoções demasiadamente fortes, e uma alma frágil não poderia suportar tal força que a abala com tanta urgência. Eu paro às vezes por causa desses choques. Normalmente eu tento me expressar para àqueles ao meu redor, porém, todos me levam a reler meu ultimo sofrimento, o que me faz corroer mais. Eu não sei para onde correr, todos que oferecem os braços não querem enlaçar minha alma para acalmá-la, querem tocar meu corpo com suas mãos pecaminosas e sujas. Antes, eu achava que a timidez dos meus sentimentos era por causa da escola, que me trazia muitas preocupações e afazeres, porém, após tudo isso, eu continuo a procurar o meu abrigo em vão. Irá alguém me puxar para fora desse abismo que eu estou voltando a cair? Eu desacredito que terá alguém com tamanha coragem, afinal, tudo o que me oferecem são palavras narcisistas e o desinteresse em ouvir. Machuca, assim como machuca um coração partido. Sim, meu coração está partido, mas não por uma causa romântica que tantas se deixam levar por sonhos absurdos, mas sim, por algo que eu acreditava ser verdade. Eu me lembro quando eu acordava todos os dias com um sorrio estampado em minha máscara de ingenuidade infantil, pois eu sabia que assim que eu pisasse no colégio, eu veria todas aquelas pessoas que eu costumava chamar de amigos. Chega a ser engraçado como o tempo corrompeu essas almas. Antes eu era recebia com braços gordinhos a enlaçar minhas costas magrelas, vez por outra recebia elogios, brincadeiras, perguntas de preocupação... Hoje sou recebida com olhares gélidos e palavras secas. Isso quando essas palavras não soam falsas. Ai minha cólera! Como irrito-me com essas máscaras ignorantes! Tenho vergonha ao mesmo tempo, sinto-me deslocada quando eu compreendo algo que aqueles ao meu redor só sabem rir da própria estupidez. Então aqueles olhos congelantes caem sobre mim, como se gritassem: "Ria também! Entre para nosso grupo de bastardos que fecham os olhos para o mundo! Ria! Ria como se não entender nada fosse algo engraçado! Apenas Ria de si mesma!" Acho que é isso mesmo que eu deveria fazer, rir de mim mesma, rir do fato que eu ainda sustento essas amizades que não passam de marionetes que fazem com que eu não pareça sozinha. Parece engraçado não é mesmo? Então, por que essas lágrimas que mancham minhas bochechas não estão acompanhadas de um sorriso? Por que meu coração martela de dor e não é a dor de tanto rir? Por que eu tinha que ser lançada neste abismo novamente?

sábado, 4 de setembro de 2010

Hurt

Finalmente a chuva caiu. Formou uma névoa tão linda quanto aquelas que banharam minha rua durante as manhãs. A chuva parou, e eu sai para fora. Um vento tão gélido quando as gotas que agora estavam ao chão me abraçou para afirmar o que eu tanto temia: eu estava sozinha. novamente.
Tenho desejos meio bizarros. Eu gostaria que sempre que eu resolvesse chamar alguém de amigo, que aquele alguém cumprisse os deveres do mesmo. Eu gostaria que minha amizade fosse valorizada, que sempre que eu fosse cumprimentar meus amigos eles me recebessem felizes, que só por eu estar ali, já era o suficiente para estar contente. Gostaria de poder contar para algum amigo todos os meus problemas sem me preocupar se ele estará me escutando ou não. Eu não pediria conselhos, pois muitas vezes eles não nos servem de nada, mas eu pediria um olhar verdadeiro ao escutar minhas palavras, que eu me esforço tanto para que saiam de minha garganta sem que eu borre minhas faces com minhas lágrimas. E se algum dia minhas temidas lágrimas saírem em sua frente meu amigo, por favor, me abrace. Me aperte o mais forte que você puder ao seu corpo. Tente aquecer minha alma petrificada pelas minhas mágoas egocêntricas. Ignore meu ego mimado e sorria para mim mesmo que eu lhe bata nas faces e empurre-te com todas as minhas forças para te afastar. Nesse momento eu te peço para me abraçar com mais força ainda, pois eu apenas estou fingindo não te querer. Sim, eu preciso de minha auto-afirmação com seus atos. Dar-me-ias a luxúria de sentir-te próximo a mim e ouvir suas palavras aos sussurros a me dizer: "está tudo bem minha cara amiga, não há motivos para tamanho drama"? Eu não vou acreditar, pois minhas lágrimas vão continuar a molhar sua camisa, meus cílios continuarão a carregas as pequenas gotículas que me rasgam a alma que tanto sofre nas mãos de todos. Sim, faço-me de vítima nessa situação. Para falar a verdade eu não me importo, pode me manipular, minhas cordas estão pedindo por isso; prefiro ser a preferida da sua coleção do que ser uma boneca esquecida na gaveta a ser devorada pelas traças. Não sei se isso te parece um ato de desespero, mas talvez seja, talvez minha alma ja esteja gastada pelos machucados de todos que se dizem meus amigos, talvez eu já não aguente mais sofrer em silêncio, talvez esse machucado seja tão intenso que nem mesmo seu abraço vai adoecê-lo. Eu não consigo mais encontrar refúgio com ninguém, então procuro aquele lugar solitário, porém tão caloroso quanto o fogo de alguma paixão. O sol me abraça, o vento me envolve, o silêncio me pertuba, meu coração reclama. Alguém poderá me salvar? Alguém irá me acordar desse pesadelo que me consome a paixão pela vida?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Dirty Hearts

Não existe nada neste movimento proibido, nenhum sentimento, só existe a luxúria cobrindo esses corpos ganaciosos.
Pergunto-me se ao permitir que alguém me toque, que desperte em mim a paixão caloroza na alma tímida, eu estarei sendo violada com veracidade? Você nunca poderá ler completamente os olhos daquele que domina seu coração, pois nenhum coração é puro por completo. Nem mesmo nossas crianças, que eram nossos anjos virtuosos, já estão com a alma corrompida pelos pecados. Porém, algumas almas necessitam tanto de outra para aquecê-las, que acabam cegando-se pelo fogo da paixão, e assim permitem que corações pecaminosos invadam o íntimo da sua alma. Todos nós perdemos nossa pureza em algum momento, porém, depende de cada um de como isso ocorrerá, se haverá dignidade e um beij o verdadeiro no final. Vocês irão abraçar-se e sussurrar sentimentos um para o outro? Ou cada um virar-se-á para lados opostos e em seu coração só haverá a volupta à transbordar? A falta de sinceridade neste momento, que é o momento de maior confiança e rendição dos amantes à sua paixão, está sendo a razão de suas brigas e separações. Corações feridos, almas imundas, auto-estima ao chão, lágrimas a cair. Que falta eu sinto daquele tempo em que cortejar não era uma palavra estranha, que falta eu sindo do tempo em que o tocar dos lábios era valorizado, que falta eu sinto do tempo em que o "eu te amo" era valorizado.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lies

Por que? Por que você teve de prometer algo assim? No final, dói mais do que eu poderia imaginar.
Quando alguém lhe promete algo, você se tranquiliza, afinal, ela prometeu à você. Fiquei dias inteiros só imaginando o quanto seria mágico nosso momento, aquele que você prometeu. A música rápida e suave nos envolveria como um laço de cetim aveludado, nossos pés entrariam em total sintonia com a melodia, nossas mãos estariam juntas para firmar mais ainda sua promessa, e seus olhos não largariam dos meus, somente bailariam pelo meu rosto até encontrar meu sorriso para a confirmação da nossa felicidade, pois você também estaria sorrindo. Não haveria fala, não era necessário. Ficariamos juntos até o final da última nota, e com muita hesitação, nós largariamos ambas as mãos para que outro alguém se apossasse de nossa valsa, mas você nunca teria esse lugar roubado, pois você prometeu que aquele momento seria nosso. O que mais me dói, é saber que tudo isso foi mentira. Você não cumpriu sua promessa, e agora, você deixou novamente sua marca em mim, uma profunda e dolorida marca, que tardará a cicatrizar. Eu pensava que tudo aquilo que você havia me ensinado, tudo aquilo que compartilhamos, havia algum valor pra você. Mas vejo que agora existe alguém que valhe tanto quanto isso tudo, tanto quanto nossa amizade, nosso caminho trilhado junto, nossa vida compartilhada, e a minha confiança. Quando você me disse aquelas coisas quando estava fora de si, eu quis acreditar, mas me disseram "não leve nada disso a sério", eu quis chorar. Por que você não pode falar as mesmas coisas que você me disse antes, enquanto está sóbrio? Por que não acaba logo com o meu sofrimento? Acabe logo com minhas noites de sonhos em que você volta e me abraça, como se nada tivesse acontecido. Por que? Por que você teve de ser tão cruel? Por que você teve de prometer?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Thinking

Às vezes eu só paro. Simplesmente paro e observo. Às vezes eu só observo, com medo de parar.
Minha raiva surgiu assim que abri meus olhos e senti a luz do amanhecer que invadia meu quarto através das cortinas rosas, tingindo o cômodo de salmão. Eu havia acordado. Porém não via nenhuma razão para tal ato, afinal, tudo o que eu fazia não era mais suficiente. Levantei-me da cama e cambaleei até a cozinha para preparar o café, porém desisti no exato momento em que vi que eram 6 horas da manhã de sábado. Minha raiva aumentou ainda mais. Eu não iria conseguir voltar a dormir, então resolvi sair para o fora e respirar o ar gélido daquela manhã desagradável. Sentei-me em frente da minha casa e fiquei observando os poucos movimentos que ocorriam naquela rua monótona. Cada pessoa que passava tinha uma vida inteira em seus pensamentos, as vezes tinha em pensamento a vida de outra pessoas, pessoas que lhe eram importantes. Se pensarmos por um lado, todas as pessoas são importantes, todas tem algo em especial. Ou que ninguém no mundo é melhor que ninguém, somos todos meramente comuns àquilo que buscamos durante toda a nossa vida: atingir a perfeição. Mas afinal o que é essa tal de "perfeição"? Seria a mulher loira de olhos azuis da propaganda de perfume? Ou o homem sarado do seriado de televisão? A perfeição está nos olhos de quem a vê. O perfeito para alguns pode ser um dia ensolarado e caloroso passado com seus melhores amigos, e para outros um dia enevoado e solitário já basta para manter o coração tranquilo. Esta variação do perfeito prova o quanto somos indescritíveis; somos incógnitas sem solução, somos imperfeições iludidas, somos a sombra de nosso perfeito, o reflexo intangível que tanto desejamos que nunca estará em nosso alcance... Meu pai chamou-me da cozinha, surpreso por eu estar acordada. Eu fiquei surpresa por minha raiva ter saído de meu corpo e eu acabado de apreciar aquela manhã congelante ao lado de meus pensamentos abstratos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Eternal Loop

Duas pessoas, unidas por laços que não podem se quebrar, que nunca se quebrarão, dois amantes, dois pedaços de um todo, que se completam somente por existirem.
Nos tornamos um laço assim que o destino banhou-nos com a coincidência, e nos fez completos assim que pudemos nos chamar de amigos. A proibição de estarmos juntos é o que nos leva a este caminho de sermos eternamente ligados, mesmo estando com outras pessoas, nunca vamos deixar de pertencer um ao outro. Mesmo nos esquecendo, nos afastando, nos rejeitando, nos ignorando, nunca vamos deixar de pertencer um ao outro. Pois assim que nos reecontrar-mos todo o amor voltará, e num abraço iremos celebra-lo, afinal, não rompemos a virgindade de nossos lábios. No momento estamos longe um do outro, mas nossos desejos vazam pelos olhos, nosso coração reclama, nosso todo nos chama. Nós nos traimos todos os dias, somos invadidos por outros, somos tocados por outros, somos amados por outros, e nós aceitamos; As vezes eu acho que você desfez o laço de nossas fitas, mas quando vejo-me frente a frente de você eu percebo o quão tola sou por pensar que você me trairia a esse ponto, pois mesmo que o laço se afrouxe nunca será desfeito, somos um do outro, e isso não mudará. O destino ainda haverá de nos juntar, nem que seja somente por uma noite, ainda iremos secar nossa sede de nós, iremos tranquilizar nosso coração, iremos nos celebrar, iremos nos amar, iremos ser o todo, daremos o nó final em nosso laço de romance eterno.

quarta-feira, 24 de março de 2010

You, my murder

Está chovendo. Está frio. Está escuro. Estou sozinha.
Aquele dia, em que a agonia interna que surgiu de causas desconhecidas, dominou o meu corpo. Aquele dia, em que eu chorei ao ver atos de paixão serem trocados em minha frente, eu sabia que ainda haveria de acontecer. Aquele dia, em que ao caminhar na chuva eu senti um calafrio, pensei que era você. Mas afinal, quem é você? Aquele que se esconde por trás dessas máscaras de gentileza ignorante, aquele que sempre acolhe-me com abraços que aquecem até mesmo meu coração vazio, aquele que eu sempre carrego comigo como um espinho na alma, envenenando-me; você se degusta de meus gritos e saboreia o aroma da vitória. Seu cálice não está cheio demais Sr. mauricio? Tenho raiva, muita raiva de você. Causador de minha cólera, meu vazio, minhas mágoas, meu caminhar sem sentido... Mas ainda sim não consigo parar de ir te ver, de ouvir suas mentiras, sentir seu toque que queima minha pele, de ser seu sacrifício, sou uma flor de pêssego em suas mãos árduas. Eu não consigo parar de te amar.
O grito que você adora, dou-lhe de presente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Return, please

Sinto sua falta.
Você disse que nada ia mudar, que tudo ia acabar bem. Ainda não acabou, mas eu não sei quanto tempo eu ainda vou aguentar tudo isso. O sentimento do abandono me consome toda vez que eu olho pra você e percebo que não posso correr e te abraçar como eu sempre fiz. Eu quero poder te abraçar, conversar com você, passar o dia inteiro ao seu lado, ser o motivo do seu sorriso, poder saber que nada nem ninguém vai atrapalhar nosso momento juntos. Quero que volte a ser como era antes, que era sempre a gente, e a gente sabia o quanto aquilo era especial e de verdade. Ninguém sabia o quanto éramos amigos, ou o quanto sabíamos um do outro. Conversas nunca faltaram, brincadeiras nunca terminavam, e o dia parecia passar voando quando estávamos juntos. Eu quero isso de volta, você não quer? Está valendo a pena, mesmo custando a nossa amizade? Você nunca vai me perder, mas eu tenho medo de que essa distancia que machuca tire você de mim. Eu te imploro, não faça isso comigo, tenho tanto medo de não poder mais te ver, olhar pra você e saber que está tudo bem, que nada vai mudar. Mas isso é uma mentira. Porque afinal, vale a pena, não é? Desculpe, mas eu não vou mais aguentar isso. Não consigo mais segurar as lágrimas, e eu tenho que te dizer isso, mas eu não sei a hora certa, porque você não vai considerar minhas palavras, eu sei disso. Volte, venha me abraçar, esqueça tudo por um minuto e me abrace, como você sempre abraçou. Aconchega-me nos teus braços, coloque seu queixo em minha cabeça, eu colocarei meu rosto em seu peito, assim ouvirei seu coração, o coração do meu amigo, que agora sei que ainda tenho um lugar nele. Volte.
Sinto sua falta.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Bored

Num momento tedioso e nublado, eu escrevo coisas sem sentido. Aprecie.
― Olá? Alguém está aqui? ― Eu estou tão assustada por entrar na casa dele sem sua permissão, mas eu tenho que lhe dizer: minhas desculpas, meu amor. ― O que você está fazendo aqui? ― A voz dele é tão linda quando ele está bravo, mas eu queria ele com a minha voz preferida, e minhas três palavras preferidas. ― Por favor... ― Cale-se! ― Seu rosto perfeito estava distorcido em uma máscara de ódio, por que eu havia feito aquilo? ― Me ouça por um segundo, por favor! ― Suas palavras não me interessam mais ― isso doeu. ― Mas você não me deixa lhe contar minhas razões! ― Razões? Como você poderia ter alguma razão com isso? Suas razões, suas palavras, e você não me interessam mais. Compreende? ― Por que ele era tão mau? Tudo nele estava me chamando, ele era meu, e eu era dele, isto é claro até para uma criança. ― Apenas vá embora. Me esqueça, minha existência, tudo sobre mim. Eu farei o mesmo. E ele se foi, e eu fiquei. Lágrimas brotaram de meus olhos, eu cai, esperando que isso me fizesse acordar desse pesadelo. Tudo o que escutei foram seus pés quebrando as folhas secas no chão enquanto ele ia, e levava meu coração junto dele.
Não sei o me leva a escrever, além do tédio é claro. Acho que as palavras são um dos modos mais belos de se expressar. Você pode não estar presente, mas suas palavras estão lá, levando uma parte de você para que as lê. Atos falam mais que palavras, é verdade, mas às vezes um "bom dia" faria alguém muito feliz. Se alguém não conseguir ler seus olhos, lhe diga o que tem medo de dizer, se você não fizer isso, ninguém fará, e garanto que o leitor fracassado nunca entenderá seu olhar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Restart

Um pé em frente ao outro; é assim que tem que ser. Continue caminhando.
Estava sufocante ― quase claustrofóbico ― em meio àquela multidão de pessoas vestidas de branco. Felizmente tínhamos chego cedo na praia e foi possível conseguir um lugar para sentarmos. Estávamos ansiosos com a chegada de 2010 ― não é incomum de qualquer forma. Todos guardam esperanças de que no ano novo tudo venha a se resolver; e que todos os problemas acumulados durante o ano vão desaparecer assim que o ponteiro do relógio anunciar meia-noite. Além das esperanças, também temos expectativas ― às vezes até demais ―, e para que elas se realizem comemos uvas, pulamos ondas, usamos roupas de baixo de cores diferentes, fazemos promessas que talvez nós nunca venhamos a cumprir; assim nos iludimos com o ano que está nascendo. Os fogos estavam colorindo lindamente as nuvens que escondiam a lua cheia. Alguns observavam a pintura no céu, outros brindavam com a família, alguns corriam para o mar para pular as ondas ― ou tomar seu primeiro banho de mar do ano. Todos estavam apreciando seus primeiros momentos de felicidade, seja lá com quem, mas estavam felizes, imaginando de como será a partir de agora ― o suposto recomeçar do ano novo. Mas eu também me deixei levar por todas as crenças ― comi as uvas, pulei as ondas, brindei com minha familia, usei uma roupa de baixo com cores diferentes, apreciei os fogos, e fiz minhas expectativas. Mas afinal, quem não faz? É por isso que comemoramos a virada do ano ― para que todos tenham expectativas e acreditem que vão melhorar. É assim que tem que ser. Feliz 2010.