Tenho desejos meio bizarros. Eu gostaria que sempre que eu resolvesse chamar alguém de amigo, que aquele alguém cumprisse os deveres do mesmo. Eu gostaria que minha amizade fosse valorizada, que sempre que eu fosse cumprimentar meus amigos eles me recebessem felizes, que só por eu estar ali, já era o suficiente para estar contente. Gostaria de poder contar para algum amigo todos os meus problemas sem me preocupar se ele estará me escutando ou não. Eu não pediria conselhos, pois muitas vezes eles não nos servem de nada, mas eu pediria um olhar verdadeiro ao escutar minhas palavras, que eu me esforço tanto para que saiam de minha garganta sem que eu borre minhas faces com minhas lágrimas. E se algum dia minhas temidas lágrimas saírem em sua frente meu amigo, por favor, me abrace. Me aperte o mais forte que você puder ao seu corpo. Tente aquecer minha alma petrificada pelas minhas mágoas egocêntricas. Ignore meu ego mimado e sorria para mim mesmo que eu lhe bata nas faces e empurre-te com todas as minhas forças para te afastar. Nesse momento eu te peço para me abraçar com mais força ainda, pois eu apenas estou fingindo não te querer. Sim, eu preciso de minha auto-afirmação com seus atos. Dar-me-ias a luxúria de sentir-te próximo a mim e ouvir suas palavras aos sussurros a me dizer: "está tudo bem minha cara amiga, não há motivos para tamanho drama"? Eu não vou acreditar, pois minhas lágrimas vão continuar a molhar sua camisa, meus cílios continuarão a carregas as pequenas gotículas que me rasgam a alma que tanto sofre nas mãos de todos. Sim, faço-me de vítima nessa situação. Para falar a verdade eu não me importo, pode me manipular, minhas cordas estão pedindo por isso; prefiro ser a preferida da sua coleção do que ser uma boneca esquecida na gaveta a ser devorada pelas traças. Não sei se isso te parece um ato de desespero, mas talvez seja, talvez minha alma ja esteja gastada pelos machucados de todos que se dizem meus amigos, talvez eu já não aguente mais sofrer em silêncio, talvez esse machucado seja tão intenso que nem mesmo seu abraço vai adoecê-lo. Eu não consigo mais encontrar refúgio com ninguém, então procuro aquele lugar solitário, porém tão caloroso quanto o fogo de alguma paixão. O sol me abraça, o vento me envolve, o silêncio me pertuba, meu coração reclama. Alguém poderá me salvar? Alguém irá me acordar desse pesadelo que me consome a paixão pela vida?![]()
sábado, 4 de setembro de 2010
Hurt
Finalmente a chuva caiu. Formou uma névoa tão linda quanto aquelas que banharam minha rua durante as manhãs. A chuva parou, e eu sai para fora. Um vento tão gélido quando as gotas que agora estavam ao chão me abraçou para afirmar o que eu tanto temia: eu estava sozinha. novamente.
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