Infelizmente eu me vejo a cair nesse maldito abismo novamente. Ele não me parece tão profundo, nem tão frio. Porém, eu estou com mais medo ainda, pois irá doer mais, já que a queda não se trata somente de uma pessoa me empurrando, são
várias.
Todos os dias sou bombardeada com emoções demasiadamente fortes, e uma alma frágil não poderia suportar tal força que a abala com tanta urgência. Eu paro às vezes por causa desses choques. Normalmente eu tento me expressar para àqueles ao meu redor, porém, todos me levam a reler meu ultimo sofrimento, o que me faz corroer mais. Eu não sei para onde correr, todos que oferecem os braços não querem enlaçar minha alma para acalmá-la, querem tocar meu corpo com suas mãos pecaminosas e sujas. Antes, eu achava que a timidez dos meus sentimentos era por causa da escola, que me trazia muitas preocupações e afazeres, porém, após tudo isso, eu continuo a procurar o meu abrigo em vão. Irá alguém me puxar para fora desse abismo que eu estou voltando a cair? Eu desacredito que terá alguém com tamanha coragem, afinal, tudo o que me oferecem são palavras narcisistas e o desinteresse em ouvir. Machuca, assim como machuca um coração partido. Sim, meu coração está partido, mas não por uma causa romântica que tantas se deixam levar por sonhos absurdos, mas sim, por algo que eu acreditava ser verdade. Eu me lembro quando eu acordava todos os dias com um sorrio estampado em minha máscara de ingenuidade infantil, pois eu sabia que assim que eu pisasse no colégio, eu veria todas aquelas pessoas que eu costumava chamar de amigos. Chega a ser engraçado como o tempo corrompeu essas almas. Antes eu era recebia com braços gordinhos a enlaçar minhas costas magrelas, vez por outra recebia elogios, brincadeiras, perguntas de preocupação... Hoje sou recebida com olhares gélidos e palavras secas. Isso quando essas palavras não soam falsas. Ai minha cólera! Como irrito-me com essas máscaras ignorantes! Tenho vergonha ao mesmo tempo, sinto-me deslocada quando eu compreendo algo que aqueles ao meu redor só sabem rir da própria estupidez. Então aqueles olhos congelantes caem sobre mim, como se gritassem: "Ria também! Entre para nosso grupo de bastardos que fecham os olhos para o mundo! Ria! Ria como se não entender nada fosse algo engraçado! Apenas Ria de si mesma!" Acho que é isso mesmo que eu deveria fazer, rir de mim mesma, rir do fato que eu ainda sustento essas amizades que não passam de marionetes que fazem com que eu não pareça sozinha. Parece engraçado não é mesmo? Então, por que essas lágrimas que mancham minhas bochechas não estão acompanhadas de um sorriso? Por que meu coração martela de dor e não é a dor de tanto rir? Por que eu tinha que ser lançada neste abismo novamente?
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