segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Going Under

Meus olhos já estavam turvos dos destilados que eu engolira sem hesitação. Foram três momentos sem nexo e involuntários, onde eu já não controlava mais meu corpo, eu simplesmente fui guiada pelos corredores daquela casa onde a música estava ensurdecedora, tentei olhar quem que estava me levando para fora da casa, mas minha cabeça pendia para baixo com cansaço, e quando dei-me conta, eu já estava na parede e ele me pressionando contra ela com seu corpo. Seus lábios foram urgentes contra os meus, sua língua provava minha boca com sede. Suas mãos foram ardilosas sobre minhas costas, passando para a minha cintura, descendo para os quadris e desenhando sobre minhas coxas alguma gravura cheia de malícia. Ele devorava meu pescoço, me arrancando arrepios. Eu podia sentir sua excitação contra minhas coxas, aquilo estava indo fora dos limites. Não sei como consegui sair de lá, mas saí. Não senti nada. Nada. A única coisa que restou foi uma mancha de impureza sobre meu corpo.

Já faz tempo que você se foi. Tantos já estiveram em seu lugar. Tocando-me com mãos delicadas, beijando-me e desejando-me tanto quanto você já o fez. Mas eu não sinto nada... É como se eu estivesse parada, só aguardando que você volte e me faça sentir novamente. Você levou consigo a única parte do meu coração onde eu ainda tinha sangue circulando, onde a vida ainda existia. Fico me perguntando se isso tudo é um enorme pesadelo e que amanhã vou acordar e descobrir que você voltou e estaremos juntos novamente. Estou tão sozinha. Comecei a encontrar uma distração em alguns vícios, e eles estão destruindo com o meu corpo, com a minha vida. O que aconteceu comigo? Não tenho mais forças pra suportar meu corpo magro e doente. Nenhum colo suporta minhas lágrimas, nenhum abraço aquece minha alma, nenhum sorriso me alegra. Tudo o que eu posso sentir é essa cruel falta de algo, essa sede, essa ânsia por saciar algo que eu desconheço. Chega a doer. Já pensei em desistir várias vezes, mas eu ainda acredito que não precisa ser assim, talvez as coisas façam mais sentindo quando tudo se acertar, quando respirar não doer mais, quando acordar não parecer mais um desafio maior que o de viver.

Não sei por que eu ainda me importo com você, não sei por que seu rosto ainda assombra minhas noites. Sei que já estou esquecida dentro de alguma gaveta, coberta pela poeira da distância e sendo comida pelas traças do tempo. Se eu sangrar eu irei morrer sabendo que você não se importa, que você não chora pela minha ausência. Não existe ninguém sentindo minha falta. Eu continuo, inutilmente, a ir atrás de algo que me faça te esquecer, que faça com que você suma de uma vez. Você já deveria ter ido embora, não tens mais o direito de ficar e me ferir desse jeito. Vá! Deixe-me em paz. Mas eu não consigo te deixar ir, eu continuo acreditando em suas mentiras, suas doces palavras que eram minhas, somente minhas. Eu acreditei em você. Eu desistiria de tudo só para estar com você. Você levou tudo que era meu consigo.

Eu quero ficar apaixonada pelas minhas mágoas sozinha, quero afundar em minha escuridão e dormir sem ter que pensar em acordar sobre o seu toque.