quarta-feira, 12 de maio de 2010

Thinking

Às vezes eu só paro. Simplesmente paro e observo. Às vezes eu só observo, com medo de parar.
Minha raiva surgiu assim que abri meus olhos e senti a luz do amanhecer que invadia meu quarto através das cortinas rosas, tingindo o cômodo de salmão. Eu havia acordado. Porém não via nenhuma razão para tal ato, afinal, tudo o que eu fazia não era mais suficiente. Levantei-me da cama e cambaleei até a cozinha para preparar o café, porém desisti no exato momento em que vi que eram 6 horas da manhã de sábado. Minha raiva aumentou ainda mais. Eu não iria conseguir voltar a dormir, então resolvi sair para o fora e respirar o ar gélido daquela manhã desagradável. Sentei-me em frente da minha casa e fiquei observando os poucos movimentos que ocorriam naquela rua monótona. Cada pessoa que passava tinha uma vida inteira em seus pensamentos, as vezes tinha em pensamento a vida de outra pessoas, pessoas que lhe eram importantes. Se pensarmos por um lado, todas as pessoas são importantes, todas tem algo em especial. Ou que ninguém no mundo é melhor que ninguém, somos todos meramente comuns àquilo que buscamos durante toda a nossa vida: atingir a perfeição. Mas afinal o que é essa tal de "perfeição"? Seria a mulher loira de olhos azuis da propaganda de perfume? Ou o homem sarado do seriado de televisão? A perfeição está nos olhos de quem a vê. O perfeito para alguns pode ser um dia ensolarado e caloroso passado com seus melhores amigos, e para outros um dia enevoado e solitário já basta para manter o coração tranquilo. Esta variação do perfeito prova o quanto somos indescritíveis; somos incógnitas sem solução, somos imperfeições iludidas, somos a sombra de nosso perfeito, o reflexo intangível que tanto desejamos que nunca estará em nosso alcance... Meu pai chamou-me da cozinha, surpreso por eu estar acordada. Eu fiquei surpresa por minha raiva ter saído de meu corpo e eu acabado de apreciar aquela manhã congelante ao lado de meus pensamentos abstratos.

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